domingo, 22 de agosto de 2021

Afeganistão

 

Neste momento a maior preocupação da direita são os direitos das mulheres afegãs. Estou com eles, gostava que o Afeganistão caminhasse para uma sociedade mais igualitária, que surgissem algumas heroínas e que elas levassem a cabo uma mudança radical dos costumes daquelas bandas. Até gostava de ouvir algumas delas, daqui a uns 40 anos, a dizer coisas que que não se coadunam de modo nenhum com a sua história de vida. Depois seriam metaforicamente apedrejadas no Twitter por aquelas que lhes devem a liberdade, o que, convenhamos, é melhor que apedrejamento literal. Na semana seguinte o tema seria outro.

Mas nada disso vai acontecer porque, apesar de existirem sim algumas heroínas afegãs, elas não têm meios para operar o milagre. Esperemos que sobrevivam para pelo menos plantar umas sementes de liberdade no deserto afegão, como fez o doutor Nakamura.

Contudo, devo lembrar que os EUA não foram ao Afeganistão entregar a democracia nem defender as mulheres afegãs. Oficialmente foram combater o terrorismo. E falharam. 20 anos e 1 000 000 000 000 de dólares depois, as tropas americanas saem do Afeganistão para o deixar entregue aos mesmos que lá estavam antes. Ou seja, mais valia estar quietinhos.

Fica a lição aos americanos: evitar ao máximo as intervenções em países estrangeiros. Senão depois ainda vos pedem contas sobre defesa de direitos humanos. Não foram lá fazer nada disso, mas também não querem desiludir quem vos tem em tão boa conta.

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