Mostrar mensagens com a etiqueta avaliações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta avaliações. Mostrar todas as mensagens

domingo, 11 de julho de 2021

Avaliação por Exame Final

 

Já entramos na terceira década do século XXI e a avaliação através de exame final continua a ser muito apreciada nas universidades portuguesas, tanto por estudantes quanto por professores, sobretudo na área de humanidades. De facto, este método permite ao estudante levar a cabo um dos seus desportos favoritos – a procrastinação – e ao professor permite salvar a natureza, reciclando exames de anos anteriores.

A escolha desta forma de avaliação manifesta-se no decorrer do semestre. Na melhor das hipóteses, o docente leva uma apresentação PowerPoint (preparada com uma antecedência mínima de 5 anos) e dedica-se a discorrer sobre temas que domina, ao mesmo tempo que faz apartes jocosos relativamente à atualidade política, de preferência salientando o quão ignorante é o ministro e quão douto é o professor. Na pior das hipóteses, o professor doutor leva consigo umas folhas de papel A5 envelhecidas em cascos de carvalho e começa a lê-las em voz alta, na mais perfeita cadência, ao mesmo tempo que faz apartes jocosos sobre a atualidade política e demonstra como é grande a sua sapiência, comparada com a daqueles que nos governam.

Do lado do discípulo, a coisa também corre de feição. Na primeira aula, perguntará se o professor pode enviar o PowerPoint por correio eletrónico, assim dispensa-se de tirar apontamentos, coisa que o poderia distrair do seu dever primordial: organizar a praxe e sobreviver à praxe. No caso improvável de o mestre se recusar a fornecer o precioso ficheiro ou se este ainda não tiver sucumbido esse instrumento do demónio – o computador –, então o esforçado jovem será forçado a ir à associação de estudantes ver se se pode arranjar apontamentos de antigos camaradas. A associação de estudantes não lhe falhará e, em princípio, os apontamentos não terão muitos erros, apenas a soma dos lapsos do professor com os equívocos do aluno (se os apontamentos já forem, eles próprios, de segunda mão, então deve-se elevar o resultado ao quadrado).

Quanto à lição, nós sabemos que não se alterou, afinal se há coisa que é imutável é a ciência. Já que se deu ao trabalho de ir até à associação, o estudante também leva os exames de anos anteriores para assim poder preparar o seu estudo: se for conservador preparará todas as questões, se for mais arrojado arriscará preparar apenas algumas, sabendo que ainda tem a época de recurso.

Finalmente chega o final do semestre, para o docente a operação é simples – basta tirar um exame do baú –, para o discente é aqui que a coisa aperta. O jovem estudante achou que uma semana bastava para devorar todo o conhecimento da cadeira. Deglutiu a matéria, mas não digeriu bem, por isso vomita tudo na folha de exame sem qualquer critério, passando assim a bola para o velho mestre. Agora cabe ao professor decidir se despejar na folha de exame uma caterva de palavras vagamente relacionadas com o que foi perguntado é suficiente ou se é melhor repetir o suplício. Sabemos o que é melhor para os dois.

No fim de tudo, e sobretudo se o jovem decidir que não vale a pena fazer um mestrado (não é que não haja quem se atreva a fazer avaliações por exame no mestrado, mas pronto), teremos o prazer de conviver e trabalhar com um Dr. que possui uns pedacinhos de ciência a boiar em álcool e na mulher gorda. Claro que a culpa é exclusivamente do processo de Bolonha.        

Pobres

     Eu não tenho nada contra pobres, até tenho amigos que são. O que eu não gosto é de os ver a contar os tostões para pagar a conta do sup...