Neste momento a
maior preocupação da direita são os direitos das mulheres afegãs. Estou com
eles, gostava que o Afeganistão caminhasse para uma sociedade mais igualitária,
que surgissem algumas heroínas e que elas levassem a cabo uma mudança radical
dos costumes daquelas bandas. Até gostava de ouvir algumas delas, daqui a uns
40 anos, a dizer coisas que que não se coadunam de modo nenhum com a sua
história de vida. Depois seriam metaforicamente apedrejadas no Twitter por
aquelas que lhes devem a liberdade, o que, convenhamos, é melhor que apedrejamento
literal. Na semana seguinte o tema seria outro.
Mas nada disso
vai acontecer porque, apesar de existirem sim algumas heroínas afegãs, elas não
têm meios para operar o milagre. Esperemos que sobrevivam para pelo menos
plantar umas sementes de liberdade no deserto afegão, como fez o doutor
Nakamura.
Contudo, devo
lembrar que os EUA não foram ao Afeganistão entregar a democracia nem defender
as mulheres afegãs. Oficialmente foram combater o terrorismo. E falharam. 20
anos e 1 000 000 000 000 de dólares depois, as tropas americanas saem do
Afeganistão para o deixar entregue aos mesmos que lá estavam antes. Ou seja,
mais valia estar quietinhos.
Fica a lição aos
americanos: evitar ao máximo as intervenções em países estrangeiros. Senão
depois ainda vos pedem contas sobre defesa de direitos humanos. Não foram lá
fazer nada disso, mas também não querem desiludir quem vos tem em tão boa
conta.