Durante aquele
curto período do ano em que não há futebol, assistimos à maravilhosa incursão
dos jornais desportivos na literatura de fantasia. Como nestes diários só se
fala de futebol, e não há futebol, é preciso inventar futebol. Os mais
conservadores transferem os melhores jogadores da época passada para os
suspeitos do costume, os mais arrojados procuram as estrelas em fim de contrato
para anunciar a sua iminente contratação por parte de Porto ou Benfica.
Quando passa
tempo suficiente sem um desenlace no negócio imaginário, os jornalistas e os
seus amigos comentadores apelidam a sua criação de novela. Diga-se aqui, que
algumas novelas são baseadas em histórias verídicas e umas até têm finais
felizes, mas o que aborrece é que, aqueles que anunciam estar em posse de
informações confidenciais, não parecem ter mais sucesso que os outros a
adivinhar o final da novela. Às vezes acertam, mas eu também vou acertar no
Euromilhões quando me dedicar a jogar todas as 139 838 160 combinações
possíveis.
Não há dúvida
que os “especialistas” do futebol são mesmo exaustivos nas suas análises.
Dizem-nos qual será o salário bruto e o líquido, se forem muito minuciosos – e
são – ainda nos dizem de que forma os jogadores poderão poupar nos impostos.
Ninguém se sente à vontade para dizer quanto é que ganha, mas para falar do
salário dos outros não faltam candidatos.
Para quem não
gosta da versão escrita das novelas do mercado de transferências, há a versão
para televisão, que normalmente passa ao fim da tarde nos canais de notícias.
Aí os adeptos mais entusiasmados podem ver o seu clube comprar e vender
jogadores a ritmo de sapateado. Já aconteceu de um jogador (Lucas Veríssimo)
assinar primeiro pelo Benfica, depois estar quase certo no Porto, voltando a
ser jogador do Benfica.
Esperemos que o futebol volte depressa porque o meu coração não aguenta tanta emoção!

